Causos meus e da minha família...
Domingo, Agosto 31, 2003
 
Então, ele olhou para o Anjo que tinha diante de si. E, numa voz fraca, cansada, disse:
"Deixo-te, então, para que cumpras meu Destino. Faço o que dizes: deixo-me ir..."
Nisto, fechou os olhos e deitou-se na superfície do grande mar que se abriu, libertando-se de todos os compromissos de direção de vida e de tudo aquilo que lhe prendia à terra e à consciência. De tudo aquilo que lhe prendia à condição de "estar", e deixando plena apenas a condição de "ser".
Sorriu, livre.
 
 
Está aí, mais ou menos como eu quero este blog. Eu sei que algumas pessoas não gostaram; teve um certo alguém dizendo que meu blog ficou com cara de classificado de jornal... mas não tem importância. Se a minha vida está com cara de classificado de jornal, então é isso mesmo que tem que ser mostrado.

E, junto aos classificados, deixo que a poesia vença.
 
Sábado, Agosto 30, 2003
 
Pois é, estou em fase de mudanças.
 
Quinta-feira, Agosto 28, 2003
 
No fim, tudo são escolhas que fazemos.
São, também, escolhas que fazem por nós.
E também escolhas que ninguém fez. Que ninguém quis fazer.
Ou que o Destino, déspota, fez por todos nós.

O que é o Fim de verdade, então?

O Fim de verdade é depois, bem depois que anoitece; quando encontramos os nossos caminhos e decidimos, corajosos, segui-lo; quando vivemos. E já é começo de novo.
 
Quarta-feira, Agosto 27, 2003
 
Que irônico. Hoje daria para ver Marte - e chove.
 
Terça-feira, Agosto 26, 2003
 
"One love
One blood
One life
You got to do what you should
One life
With each other
Sisters
Brothers
One life
But we're not the same
We get to
Carry each other
Carry each other"
 
 
Eu não queria cair no clichê, quem me conhece sabe o quanto eu detesto frases feitas e "coisinhas bunitinhas e fofinhas", escritas talvez em um lampejo de iluminação, mas que após algum tempo tornaram-se ultrapassadas e até pífias. Mas eu não tenho como fugir dessa vez, porque eu sinto que preciso - é urgente até - dizer obrigada aos meus amigos, eu amo muito vocês.
Dentre as pessoas que gostam da gente, existem dois tipos: aquelas que querem muito ser nossas amigas, e aquelas que, efetivamente, o são. Porque amizade, como disse a minha mãe, envolve renúncia a abdicação; é o tempo que você perde com aquele fulano ao telefone, que se preocupa com ele enquanto podia estar preocupado com outras coisas, que briga com ele, chora com ele e, de vez em quando, até se diverte com ele. É o tempo que se perde, e tempo é coisa da categoria "não recuperável". Para abdicar-se dele, é preciso muita coragem e muito amor.
Porque os amigos se amam, e não é isso mesmo? Com carinho, eu penso muito neles. Naqueles que se revelaram, naqueles que estão lá há muito tempo. Em um momento que não está sendo muito seguro para mim e que me sinto tão flutuante com tantas coisas novas, alguns se mostram tão facilmente, tão... ali. Perto. Perto. Perto, entendem? Estão os pequenos anjos do cotidiano numa mensagem de ICQ ou no ônibus ou em um e-mail ou numa conversa de cinco horas em um shopping qualquer, comendo bolinho de bacalhau e tomando cerveja.
Porque se amam e quando assumimos esse compromisso de amor, sabemos quando somos necessários na vida de alguém. Dia desses, declarei de maneira direta e muito simples um "eu amo vocês", com aqueles olhos marejados de bêbado, só que eu não estava bêbada; estava agradecida. Olhava dois de meus amigos falando bobagens sem nexo e pensei no quanto eles, com aquelas mesmas abobrinhas, estavam me fazendo rir. E eu podia gargalhar, que a música era alta, e gargalhar era tão bom! E sentir o ar e o pulso, e sentir como estar ali era gostoso... foi quando a vida deu lugar à cena de filme e a música diminuiu e uma emoção tão grande me tomou, assim, como uma onda de mar - inevitável - que, depois de uma gargalhada bem alta, os olhos se fecharam, e as palavras saíram nessa ordem: como senti falta de vocês...
 
Domingo, Agosto 24, 2003
 
Olha a foto do fulano aí...




Reparem a polpa do bumbum aparecendo....

 
 
Terminou hoje a X Jornada de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do CREFITO-2, que foi realizada no Hotel Glória. Foi maravilhosa, temas interessantíssimos, um pessoal super preocupado com pesquisa em Fisioterapia e tal. Mas, galera, o mais encantador da Jornada era o banheiro, chiquérrimo, coisa de primeiro mundo. Por que? Porque os assentos dos vasos sanitários eram recobertos com plástico - e mais! - havia um sensor que acionava um mecanismo de troca do plástico toda vez que se passava a mão perto dele. Malabarismos no banheiro, nunca mais!
Mas claro que eu não sentei naquilo. Sei lá como é esse mecanismo de higienização do plástico...
 
Quinta-feira, Agosto 21, 2003
 
Uma das fotos mais engraçadas do primeiro filme de fotografias que eu tirei em Curitiba foi de um cara que se intitula (ou foi intitulado) de Oil Man. O tal fulano anda de sungas e uma bicicleta, todo besuntado em óleo, pelas praças de Curitiba naquele frio danado! Estávamos voltando do Congresso para casa, quando nos deparamos com o cidadão e sua bicicleta, e aquela sunguinha verde enfiada no popô, plácido transeunte da noite.
Obviamente, eu não resisti. O melhor ângulo que tive foi quando eu estava bem atrás dele, mas o indivíduo olhou para trás com uma cara tão esquisita - o cara todo era esquisito, na verdade - que eu quase que instantaneamente virei para trás também, para esconder a máquina fotográfica. Alguns momentos depois, entretanto, consegui chegar perto o suficiente para tirar a belíssima foto do Oil Man.
Hoje, estava olhando as fotos e me deparei com o fulano. Morri de rir...
 
Terça-feira, Agosto 19, 2003
 
"O velhinho japonês olhava o trio curioso em torno de sua mesa; dois orientais e uma ocidental estavam ali, ao que parecia, por causa da placa colocada lá fora, onde se lia 'escreva o que quiser em japonês', um negócio que estava rendendo bem. Mas o trio falava entre si e não se pronunciava a ele.
'Posso ajudá-los? O que vão querer escrito em japonês?'
'Bem... eles dois não querem nada, mas eu queria uma coisa' - manifestou-se a ocidental - 'mas estou com vergonha de pedir...'
'?'
'Eu posso tirar uma foto com o senhor?'

A máquina fotográfica da menina era meio velha, estava um pouco escangalhada, demorava a responder; mas o velhinho, mesmo não entendendo o porquê daquele interesse da menina em tirar uma foto com ele, acabou concordando e pacientemente esperava a máquina fotográfica ser ajeitada para que a foto saísse.
Finalmente, após três tentativas frustradas, a foto saiu, o Oriente e o Ocidente sorridentes, um ao lado do outro.
'Muito obrigada' - ela disse.
'Espere! Eu também quero tirar uma foto com você!'
O velhinho tirou de sua bolsa uma máquina fotográfica digital de última geração, acertou o zoom, definiu a nitidez, verificou a necessidade de flash e a foto, em menos de três segundos, estava lá na telinha da máquina. O Oriente e o Ocidente, sorridentes, outra vez.
'É assim que vai ficar a sua foto, menina.'
E ela respondeu, encantada: 'obrigada pela sua paciência.'
'Meu nome é Noboru.'
'No...?'
'Noboru. Escreve assim: N-O-B-O-R-U. Significa subir, escalar.'
'Muito obrigada, Noboru. Até mais.'"


Curitiba é uma cidade linda! Linda demais! Nunca vi uma cidade tão bonita, tão limpinha, tão organizada.
Uma das coisas que me chamou a atenção foi o sistema de ônibus da cidade. Não tem aquela coisa horrorosa que é no Rio, de ficar se espremendo no ponto de ônibus, fazendo sinal de parada e torcendo para o motorista parar para você; na verdade, o ponto de ônibus é uma espécie de tubo onde as pessoas ficam depois de pagar a tarifa (o trocador fica dentro desse tubo; não existe essa coisa de trocador dentro do ônibus). Os ônibus lá param em todos os tubos, independente de alguém fazer sinal ou não - é que nem o Metrô - e, quando eles chegam, as portinhas desse tubo abrem, o ônibus desce uma plataforminha e as pessoas entram. Genial! Nada de ter que ficar contando o dinheiro com o ônibus em movimento, nada de ter que ficar com medo de assalto (ou, pelo menos, muito medo de assalto), nada de ter que fazer sinal de parada...
Outra coisa que me encantou foi a cultura à flor da pele, na cidade. Em todas as praças se via alguém tocando aquelas flautas de pã, alguém cantando, alguém pintando, alguém fazendo alguma coisa bonita. Em várias praças, eu via exposição de quadros - alguns muito bonitos mesmo -, de esculturas, de performances. Houve um cantor lírico em uma das praças que visitei... e eu adoro ópera!
Também existem pontos turísticos muito belos. É até difícil dizer de qual eu gostei mais... eu fui visitar a Ópera de Arame, o Bosque do Papa, a Praça do Japão (banzaaai), feirinhas, outros Parques, o Jardim Botânico, a Universidade do Meio Ambiente, a Rua 24 horas, saí à noite e fui no Bar do Alemão e numa boate chamada Vilarigno. Não parei um momento sequer, andei demais, conheci muita coisa e me encantei.
E o tal Congresso, vocês me perguntarão. Eu digo: foi bacana. Mas não foi bem o que eu esperava; achei que as palestras falaram mais de normas regulativas do que de fisioterapia mesmo. Mas, talvez, seja isso mesmo e as pessoas que trabalham com fisioterapia e medicina do trabalho tenham que se preocupar com burocracia e etc. Enfim, foi legal mas está um pouco fora da minha realidade.
Enfim, valeu muito a pena. Apesar do frio de 11 graus (é, carioca sente frio com essa temperatura sim), das cinco blusas que eu usava por vez, tudo foi muito bacana. Mesmo.

Espero voltar um dia!
 
Quinta-feira, Agosto 07, 2003
 
Caraca!

O Roberto Marinho morreu!
 
Terça-feira, Agosto 05, 2003
 
Acabou a neurose de PneumoCardio. Graças a Deus, eu NUNCA MAIS vou fazer uma prova de PneumoCardio na minha vida! Agora, só falta Neurologia, quinta feira.


Estou muito feliz. Semana que vem, haverá o II Congresso de Ergonomia da Fisiotrab, lá em Curitiba. Eu estava desanimada pela falta de dinheiro para ir, mas parece que Deus compadeceu-se de mim e me deu a oportunidade de ficar lá - de graça! Então, amigos, semana que vem estou indo para Curitiba (se tudo der certo, né?), para o Congresso e para conhecer a cidade - aproveitando que estarei de férias, e que a hospedagem não é custo, e ficarei uns dois dias a mais.
Muito bom, não é?
O mais bacana é que Fisioterapia do Trabalho é algo que está em voga e dá dinheiro. Existe muita vontade de investir em prevenir ao invés de tratar, o que - convenhamos - sai muito mais barato. E acho que o Congresso vai ser muito bom. Pretendo fazer bastante contato lá, quem sabe encontrar alguém com alguma idéia inovadora e trabalhar! Sempre existe essa possibilidade!
Bom. Não há muito o que dizer. O final do período se aproxima, e eu estou cada vez mais ansiosa com o estágio que vai chegar. Hoje fiz a inscrição em disciplinas, me inscrevi no Estágio Supervisionado II e IV, que são os que eu vou cursar esse período.
Quanto receio! Mas... ao mesmo tempo, eu acho que uma fase muito nova na minha vida está começando. Eu sinto que as coisas estão indo para um caminho bom; e por isso eu me sinto muito feliz. Com medo, e feliz.
Dia 25 de agosto começa a minha admirável vida nova!
Mal posso esperar.



Vai amanhecer daqui a pouco, dá para ver?

 
Amigo, tu e eu seremos estranhos nesta vida, estranhos um ao outro e a nós mesmos, até o dia que falares e eu te escutar, crendo que tua voz é a minha, até o dia em que eu ficar diante de ti acreditando estar ante um espelho.
lelecadasilva@hotmail.com

Nome: Leleca
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